Godofredo Pinto, em fevereiro de
2015
Está na divulgada pauta da Reforma Política em discussão no Congresso
Nacional a questão do encurtamento da duração das campanhas eleitorais em nosso
país.
Esta é uma proposta que significa um grave retrocesso político do ponto
de vista democrático. Afinal, a vigência em nossa vida política do Horário
Eleitoral “Gratuito” em TVs e rádios é uma importantíssima conquista da cidadania
brasileira, visto que permite aos partidos políticos e seus eventuais
candidatos, apresentarem suas propostas, críticas e realizações ao eleitorado à
margem das visões e interesses propalados pela “grande imprensa” nacional.
Assim, menos tempo de campanha eleitoral implica em mais tempo de dominância
hegemônica, no noticiário político, daquilo que seja do interesse dos “barões
da mídia” do Brasil. Também os governantes de plantão, que dispõem de uma
máquina publicitária própria para divulgar seus feitos, seriam beneficiados vis a vis os candidatos de oposição.
Os partidos progressistas e, em especial, todos os congressistas
democratas, que defendem uma veiculação o mais plural possível dos
posicionamentos políticos representados no cenário nacional – o que é
fundamental para uma maior conscientização da sociedade brasileira -, não devem
apoiar tão antidemocrática propositura.
A democracia, a politização de nosso povo, a não expansão da já enorme
influência de nossa mídia tradicional na política brasileira e uma menor
desigualdade na exposição midiática entre governistas e oposicionistas, estão a
exigir de nossos congressistas, se não a manutenção da atual duração das campanhas
eleitorais, a ampliação do tempo reservado aos partidos políticos nas eleições,
pelo menos ao nível que vigorava antes da modificação que redundou na
legislação eleitoral hoje vigente (já ocorreu, há anos, uma primeira redução).
As sempre suscitadas considerações de natureza econômica – as campanhas
custam muito dinheiro e tal redução seria, por isso, positiva – expressam uma
visão antipolítica, como se a democracia tivesse um preço; de fato, um maior
ônus financeiro com o debate político ampliado será sempre muito pouco se o que
se tem a ganhar em termos de democratização da informação signifique algo
fundamental para a elevação qualitativa da vida política brasileira.
a redução é válida, deveria ser sim distribuidas pelos partidos político, como já é, porém a população deveria participar
ResponderExcluira redução é válida, deveria ser sim distribuidas pelos partidos político, como já é, porém a população deveria participar
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